
Muitas marcas de carro chegaram ao Brasil carregando um grande drama oculto: serviços de pós-venda de péssima qualidade, que não acompanham o ritmo das vendas. Na busca por ampliar rapidamente as participações de mercado, muitas delas deixam em segundo plano a estrutura de peças e serviços – que são essenciais para sustentar o crescimento. As consequências dessa estratégia já geram impactos aos consumidores, especialmente nos prazos de chegada das peças e duração total dos serviços. Os casos relatados pela revista Auto Esporte mostram que as marcas BYD, Leapmotor e MG estão com clientes com dificuldades de encontrar peças. Fillipe Capezzera é um dos clientes que precisou esperar muito além do razoável por reparos em seu carro. Ele é motorista de aplicativo e proprietário de um BYD Dolphin Mini.

Segundo Capezzera, o veículo apresentou problemas de corrosão na lataria e falha na caixa de direção. Além disso, ele relata problemas na caixa evaporadora do ar-condicionado e no revestimento do volante, que descascou. Para esses dois últimos casos, ainda aguarda uma solução. A reclamação sobre o volante foi registrada no dia 05/06. Inicialmente foi informado um prazo de 25 a 30 dias para a chegada da peça. A solicitação foi encaminhada à fábrica, mas houve um pedido de novas evidências sobre o problema. Elas foram providenciadas e reenviadas, mas ainda estão pendentes de análise.

Leonardo Pontes (São Paulo, SP), dono de um Leapmotor C10, relatou problemas após um incidente ocorrido durante uma viagem pela estrada, que danificou o pneu, a roda e o amortecedor do veículo. Durante o mesmo trajeto, uma pedra atingiu o para-brisa e provocou uma trinca. O carro foi levado à concessionária para realizar o reparo por meio do seguro. Inicialmente, foi informado que o serviço levaria entre 15 e 20 dias. No entanto, as peças demoraram a chegar e o prazo foi se estendendo para 30 dias, depois 40, mas ainda sem que a concessionária apresentasse uma previsão concreta para a conclusão, segundo o cliente.

Felipe Pacheco, dono de um MG4 Comfort 2025/2026, morador de Sorocaba (SP) e que trabalha na capital, relatou problemas relacionados à reposição do para-brisa do veículo, trincado após ser atingido por uma pedra durante um trajeto em rodovia. O incidente ocorreu em abril de 2026 e o veículo permaneceu aguardando a peça até setembro. No início de julho, o proprietário foi informado de que a peça havia chegado ao Brasil, mas que ainda seria necessário aguardar a emissão da nota fiscal. Algumas semanas depois, porém, recebeu a informação de que o para-brisa recebido estava incorreto e não correspondia ao modelo do veículo. Segundo ele, naquele momento também foi informado de que não havia previsão para solicitar uma nova peça, pois o fornecimento estaria interrompido.
